A caixa está no canto do quarto.
Terrivelmente sombrio o canto
Guarda o quarto de curiosidade.
Anseia minha alma em saber a verdade.
A penumbra a esconde.
Se pudesse sentir seu aroma,
Se pudesse tocá-la os dedos
Sem sentir o medo que me encarcera
Em mim mesmo.
A caixa. Guardada
Do mundo lá fora.
Calado me apavora
O conteúdo que maldito
Destila algo que não ouso
Ver.
Na caixa estão todas as lembranças
Felizes e amargas
Tão fadadas ao sucesso e ao fracasso
Que de espasmo
Me dissolvo em depressão.
Chorando sem lágrimas
Me guardo da caixa aqui fora
Sem nada saber, mas
Esperando a hora, a hora...
De nunca mais,
Nem em um minuto sequer
Poder amar tudo que puder
Sem perder um angstron de sorriso
Da boca minha
Amada e maldita
Que um dia acreditou, na vida,
Na vida, quero acreditar!
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